Processo de adaptação de um expatriado

PROCESSO DE ADAPTAÇÃO CULTURAL DE UM IMIGRANTE E/OU EXPATRIADO

O QUE É UM EXPATRIADO?

É a pessoa que é enviada para morar num país diferente do seu país de nascimento, seja de forma permanente ou temporária, este termo é usado pelas empresas para categorizar seus funcionários enviados ao estrangeiro para desenvolver seu trabalho.

O QUE DIFERENCIA UM EXPATRIADO DE UM IMIGRANTE?

A diferença principal são os motivos que os fizeram migrar para outro país. O imigrante o faz por questões políticas, crises econômicas, conflitos armados, para procurar avion-aeropuertomelhores oportunidades de estudo ou trabalho, enquanto o expatriado é enviado pela empresa para  trabalhar numa subsidiária ou matriz da empresa num outro país.

Segundo um estudo da ONU de 2019 existem no mundo aproximadamente 272 milhões de imigrantes, e entre eles existem muitos expatriados. Estes expatriados e imigrantes precisam se adaptar no menor tempo possível à nova cultura para que possam viver em harmonia e tranquilidade e ter sucesso no desenvolvimento das suas atividades.

O QUE É ACULTURAÇÃO?

É o processo pelo qual uma pessoa ou grupo adquirem uma nova cultura (ou alguns aspectos dela), estes indivíduos se adaptam a nova cultura, quer dizer se ACULTURAM incorporando ao seu comportamento alguns elementos dessa nova cultura.

Durante esse processo (o da aculturação) o expatriado pode se encontrar com um CHOQUE CULTURAL no novo país.  Segundo o antropólogo canadense KALERNO OBERG esse CHOQUE CULTURAL é uma experiência individual e se compõe de diferentes etapas.

A etapa da lua de mel, a etapa do choque cultural, a etapa da aculturação, e a etapa da adaptação.

ETAPA DA LUA DE MEL

É uma analogia com o matrimonio, tudo é novo e interessante, mesmo que não se conheça a profundidade as virtudes e defeitos da nova cultura. Existe o encanto com uma nova cidade, conhecer novas pessoas, uma nova cultura. Essa fase não dura mais do que 2 meses.

CHOQUE CULTURAL

A emoção desaparece e o encantamento inicial cede à realidade. Fica mais difícil manter uma atitude positiva, começam a surgir diferenças, aqueles problemas iniciais que pareciam simples agora são importantes.

Podemos dividir esse choque cultural em algumas fases:

1- Começa uma fase de negação; não gosto desta cultura, o que estou fazendo aqui?

2- O imigrante entra numa etapa de idealização da própria cultura, meu país é melhor, a minha cultura é melhor, não gosto da comida daqui, minha culinária é melhor.

3- Surgem logo os sentimentos de hostilidade contra os residentes locais, problemas de raiva, frustração, nostalgia e muito estresse emocional com as consequências conhecidas na parte física e mental.

ETAPA DE ACULTURAÇÃO

No decorrer do tempo o imigrante ou expatriado aprende a lidar com os sentimentos gerados na fase de Choque Cultural, começa a entender a nova cultura e vê-la como algo diferente ao invés de algo estranho, procurará fazer novos amigos na cultura local.

Começa a fase do entendimento, a nova cultura volta a ser interessante e vista como uma fonte de crescimento pessoal e de aprendizado. Os mal-entendidos surgidos pelas diferenças culturais não são mais causadoras de mau humor, mesmo que a adaptação ainda seja difícil.

A frustração aparece porque a pessoa percebe que muitos dos seus comportamentos anteriores não servem na nova cultura.

ETAPA DE ADAPTAÇÃO

Vencida as fases iniciais, de lua de mel, choque cultural e de inicio de entendimento da nova cultura o imigrante sente-se tranquilo lidando com situações novas, aprende a adaptar seus comportamentos para que estes funcionem melhor na nova cultura, mesmo que ainda surjam mal-entendidos, só que nesta fase não irá reagir com raiva ou hostilidade, terá uma atitude tolerante e tentará, para ser compreendido, trabalhar no seu comportamento.

Calcula-se entre ano e ano meio para a fase de adaptação, tempo que será reduzido com o treinamento intercultural e a gestão intercultural.

Depois de adaptado, o expatriado tem novos amigos, aceita as diferenças culturais, está confortável no novo país e sente-se em casa, tem uma segunda pátria, geralmente sente que não quer sair mais do país.

* Como podemos observar o processo de adaptação cultural não é nada fácil, o caminho tem muitos obstáculos, um fracasso neste processo significa uma enorme perda para a empresa, tanto em recursos humanos quanto em recursos econômicos, levar um funcionário para o estrangeiro é burocrático, dispendioso e em caso de insucesso além de perder dinheiro a empresa pode perder um bom empregado. Para um imigrante o fracasso significa geralmente um fracasso econômico, menor qualidade de vida, a probabilidade altíssima de ter que voltar ao seu país de origem sem ter cumprido os objetivos que tinha pensado cumprir.

Os riscos, as incertezas, as decepções, frustrações serão reduzidas com uma formação intercultural prévia que a Gestão Intercultural pode oferecer.

Daniel Liberato